quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Anotações de Viagem

Sair de mochila é a teoria do efeito borboleta aplicada.
O quão poeta sou,
se a inspiração minha,
é a dor que vingou,
ou a esperança que se avizinha?

Será a poesia dor e esperança,
ou sou somente um rascunho de poeta?
De certo há poesia em tudo, da gentileza à vingança,
eu que só percebo no extremo, quando tudo me inquieta.

Devo ser meio-poeta, quase-poeta ou semi-poeta,
mas encontro liberdade em saltar lá do alto,
quando me aproximo do chão, desperto para poesia, sempre alerta,
poesia para-quedas, poesia-salva-vidas, a encontrarei no próximo salto.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Subi a pé até o Glacial Martial. O mais alto que consegui. Fiz a caminhada mais longa que há no parque para chegar até a placa do fim do mundo. Medo de não merecer.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Anotações de Viagem - Folego

Sempre achei exagerada a expressao: "de tirar o folego".
Ontem e hoje entendi.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Anotacoes de Viagem - Povo.

Sempre se pode esperar algo bom do povo do sul da Argentina.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Anotações de Viagem

Um passo mais. Semrpe mais. Sem prever possibilidades. Um lugar mais. Sempre mais. A estrada como habitat apresenta o entre melhor que o no.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Anotações de Viagem - Melo

Trajeto cumprido.
Tomei uma Mirinda e comi um pancho.
Carona com um tio muito louco dos freeshops de Rio Branco até o setor de Imigração. Carona do Padre Jairo, da Catedral de Melo até a praça onde o Papa discursou e gravaram "El baño del papa". Primeira entrevista amanhã, com o próprio Padre.
Provavelmente deixaremos Montevideo para a volta.

hasta.

Frase do dia:
'ustedes no entenden nada porque son brasileños" ( HOSTEL, Dona do  2011)

Anotações de Viagem - 1º Dia

Nos demoramos para sair de Novo Hamburgo. Não consegui ver as pessoas de Pelotas. Mas vão todos no coração.

Dormida na casa da vó e a intenção do dia amanhã é o trajeto Pelotas - Jaguarão - Rio Branco - Melo.
Que tudo de certo.


Hasta!

domingo, 6 de novembro de 2011

e vai começar a viagem...

http://linhaseletrasaosul.blogspot.com


logo mais detalhes.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

De tudo que assusta e foge do controle.

   Da sacada se vê o Sol se perder atrás dos prédios da cidade. Logo o céu faz desenhos por detrás deles em todos os tons de vermelho. A noite traz um vento leve e discreto. Da sacada sinto vento em meu rosto e observo os desenhos no céu serem tomados pela noite. O vento é leve mas nos toma aos poucos. Balança as roupas do varal, e sem que se possa perceber, enquanto o céu distrai com seu ballet de cores, ele perturba todos os sentidos. O vento sopra aos poucos mas não para de soprar. Se apresenta desimportante; um mero desconforto, talvez até uma brisa que chega na hora certa. A brisa envolve o corpo e aos poucos é só o que se pode perceber. Esfria o coração e acelera o pensamento. Sequestra o pensamento. Ocupa a mente. Cria um vazio dentro do peito, como um poço que secou. Aperta a garganta, como algo que deve se transformar em grito. Acabo por gritar. Sem perceber o que grito. Quando me chega o eco, o vazio aumenta e o aperto sufoca. E fico assim, até que o sol volte, misture as tintas por um dia inteiro e por fim volte a pintar um belo quadro com todos os tons de vermelho. Até que a noite venha e traga um vento, leve e discreto.
Perceber o instante que se tornará eterno e o sorrir durante ele.
Aceitar que essa eternidade vai existir na tua própria memória.
E caminhar em direção até o próximo instante eterno.
Aproveitando o caminho.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

D             E               P                 O               I             S


AGORA

D            E                 P                O                I             S

AGORA

D            E                 P                O                I             S

AGORA













De quanto tempo se precisa?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Muitos anos se passaram.
Ele se senta no restaurante com a esposa. Sempre a trata com carinho. A esposa é bonita, simpática, educada e tem muita admiração por ele. Estão em um evento grande, alegres com o que estão fazendo. A vida caminho no passo certo.
Ele levanta para ir ao banheiro. No fundo do restaurante, um pequeno corredor leva a duas portas. Ele caminha olhando para o chão. Quando chega ao fim do corredor levanta o rosto buscando saber em qual porta deve entrar. Direita.
Ao ir em direção a porta, a outra se abre. O corredor é apertado, ele espera.
Da outra porta, ela sai. A mesma cor de cabelo e o olhar de quem sabe o que faz.
Cumprimentos. Ela ainda tem o mesmo cheiro. Como vai. Tudo bem. Evento legal né. Abraço. O mesmo cheiro e a pele ainda provoca o mesmo efeito quando toca a dele.
Os dois seguem seu caminho.
Erraram.
Não. Provavelmente ele que errou.
Os dois seguem seu caminho.



Muitos anos se passaram.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ainda.

   Ainda sinto saudades.
   Mesmo que a paz tenha chegado ao meu coração, mesmo que peso já não pese nos meus pensamentos, ainda sinto saudade. Ainda sinto o estômago se abrir e aquele buraco frio tomar conta. Ainda sinto meus dedos se moverem sós, em direção a tua nuca.
   Mesmo que a paz tenha chegado por esses lados, mesmo que não provoque mais desespero, ainda sinto saudade. E já não sinto mais saudade de ver-te, de tocar-te. Disso, ficou o desejo. A saudade, forma de amor, e portanto de importância maior, é de sentir. Ou melhor, de não sentir.
   Mesmo que a paz tenha chegado, ainda sinto saudade. Saudade do tempo em que aprendi a não sentir. Livrei-me de pesos e medos, de necessidades e desejos. Passei a não sentir o que me era desnecessário.
   Mesmo que haja paz, e muita dela, a saudade predomina. Saudade de quando soubemos criar tempo e espaço. Do passo lado a lado, mesmo que desencontrado. De quando aprendemos que só olhar a lua ou o sol, já poderia preencher o dia. De fazer sem refletir, afinal, sentíamos e era o suficiente.
   A paz tem valor alto. Dificil de achar, fácil de perder. Mas mesmo que a paz tenha chegado, ainda sinto saudade.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Grito, grito e grito.
Talvez um grito mudo.
Mas ainda assim, um grito.
Procuro quem escute o silêncio.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Declarações à minha'lma (republicando)

Talvez, talvez,
(digo à minha'lma)
a solução seja simples.

Vou te escutar mais,
e quando gritares,
(esses gritos que chamam instinto)
não pensarei duas vezes.

Só tenho uma ocndição,
que tranquilo fique meu coração,
sem euforia ou agonia.

Assim, seguiremos tranquilos,
E quanto ao tempo,
(nosso antigo inimigo)
jogamos fora,
e inventamos o nosso.
O tempo passa.

Simples, poético e belo assim.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O quarto e a sala.
O quarto, a sala e a cozinha.
O quarto, a sala, a cozinha e o corredor.
O quarto, a sala, a cozinha, o corredor e o banheiro.
O quarto, a sala, a cozinha, o corredor, o banheiro e o carro.
O quarto, a sala, a cozinha, o corredor, o banheiro, o carro e a roupa.
O quarto, a sala, a cozinha, o corredor, o banheiro, o carro, a roupa e aquele gesto com a mão.
O quarto, a sala, a cozinha, o corredor, o banheiro, o carro, a roupa, aquele gesto com a mão e aquele movimento com os olhos.
O quarto, a sala, a cozinha, o corredor, o banheiro, o carro, a roupa, aquele gesto com a mão, aquele movimento com os olhos e o olhar reprovador.
O quarto, a sala, a cozinha, o corredor, o banheiro, o carro, a roupa, aquele gesto com a mão, aquele movimento com os olhos, o olhar reprovador e o conselho na ansiedade.
E o abraço sem palavras.

Impregnado no tempo e no espaço.
Não lembro de ter ficado tanto tempo sem postar.
Tempo para criar de outra forma.
Tempo para me recriar.
Tempo, o caminho de sempre.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tudo acontece no salto.
Durante o vôo, tudo parece suspenso.
Obra a ser construída,
terreno a ser desvendado.
Procura-se esperar,
talvez até se distrair,
são muitos pés de altura,
instantes eternos ao saltar,
e determinação ao cair.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A produção suspende a criação.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Talvez seja como estar escalando uma parede enorme enquanto pedreiros, lá em cima, tratam de torna-la mais alta, mas, e daí? Eu não teria começado se não gostasse de escalar.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

como disse o chico.

No inverno, é vermelha, a cor do cachecol,
O cabelo, tem todos os vermelhos do por do sol.
Quando sorri, fecha os olhos e abre logo.
Eu, por vezes me vou, mas sempre volto.
Ao adormecer, o faz com rosto sereno.
Eu cuido para não fazer barulho.
Me encara, sorri, diz que meu olho é pequeno.
Segura minha mão, me encho de orgulho.

Já pensei em fazer aquele pedido.
Mas penso e depois repenso,
Como disse o sempre sábio Chico:
"sinto que ainda vou penar com essa pequena"
Mas tanto faz, sem ela, sou de dar pena.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Por mais que tenha doído, enjoado, enfraquecido, fortalecido, destruido, construido e preocupado, hoje completam-se três anos que a cada dia sinto mais o frio, mais o calor, mais o vento, mais cada sentimento.

Suco da semente.



(e obrigado a cada um que fez parte disso)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

E aquele peixe que subia o rio.
Talvez se descubra num lago.
E andando em círculos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Objetivos e metas.


Ser criativo sem deixar de ser objetivo.
Ter liberdade sem deixar de ter responsabilidade.
Pensar sem deixar de sentir.
Sonhar sem deixar de realizar.
Trabalhar sem deixar de ser.
Resistir sem deixar de repensar.
Inovar sem deixar de manter.

Assistir. Ler. Amar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Costumo medir meu nível de felicidade pelo que sinto quando olho o céu à noite. Ultimamente, as estrelas me falam do futuro, e a Lua, melancolicamente, me relata coisas do passado.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O escrito do salto

Conseguir













                                         vôo
                     um
pegar













e
               saltar
                                    para
                                              apenas














                                                                SER.

Isso tudo que me consome.

Trabalho, amo e me cuido.


To sem dinheiro, sozinho e meu corpo não agüenta o que quero fazer.


Ainda fico sem depender de ninguém, posso levar sozinho por enquanto, vou dar um jeito de voltar a correr.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sobre curvas, mapas, estradas e destinos.

Desistiu da linha reta, pegou uma curva.
Perdeu-se.
Arrependeu-se da curva. Queria voltar.
Não havia retorno.
Ficou algum tempo observando aqueles caminhos sem mapas.
Seguiu.
Percebeu que a curva era necessária.
Somente através da curva poderia pegar outro estrada.
Não a mesma, mas ainda assim reta.
Indo diretamente para outro destino.
Não é o mesmo de antes.
É o que pertence a ele.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Corre, corre rio acima.
Procura a nascente.
De repente é por lá,
O campo fértil para plantar.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Desisti da linha reta.
Fui tecer em outra direção.
Na curva, perdi orientação.
E preso na teia que teci.
Fico pensando em como sair.

domingo, 29 de maio de 2011

Ele encarava tudo de peito aberto.
Aceitava na vida o que lhe aparecia.
E transformava no melhor possível.
E seguia assim. Transformando.
Sentiu-se muito capaz.
Mas não sabe fazer sozinho.
E, de repente, se aproxima do que sempre desprezou.

sábado, 21 de maio de 2011

Sinto obrigações no meu destino.
Não sei onde, como ou quando.
Mas sei que vai acontecer.
Que tenho que fazer.
Falar, fazer e amar.
Escrevendo, produzindo, demonstrando.
Mas tenho pressa, tento a todo momento.
Talvez me falte a paciência de um pescador.

domingo, 1 de maio de 2011

Caminhei pelo centro de Porto Alegre. Praça, shopping, Subway, rua da praia até o Gasômetro. Sentei numa sombra para olhar o Guaíba, alguns metros do lado, um personagem incrível. Como tinha papel e caneta na mão, escrevi:

Multidão a passo,
Guiada pelo acaso.
Eu aqui, a observar cada andar:
Sapato, chinelo ou salto.
Um me saltou aos olhos, me pareceu peculiar.
Passo firme, olhar vigilante.
Barba branca, cabelo longo,
Com chinelos nos pés, sem perder por um instante,
A certeza que carrega nos ombros,
E a beleza que se vê no horizonte.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

E eu aqui, comendo mariolas.

Tem gente que escreve um bilhete.
Outros, assistem um gol na televisão.
Uma criança voa num patinete.
Alguém descobre o primeiro acorde no violão.
Dois carros batem, seus donos gritam.
Duas pessoas se cumprimentam e se vão.
Um homem olha a amada dormindo.
Ela acorda e os dois se olham.
Infelizmente tem que dizer que está indo.
Uma mulher toca a campainha.
A porta abre. "só vim dar uma passadinha".
Um velho grita com sua vizinha.
Um moleque chuta uma pinha.
Senhor sai satisfeito do restaurante.
O moleque tropeça e se esfola.
Tudo isso em instantes.
E eu aqui, comendo mariola.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

"basta veer, el reflejo de tus ojos en los míos"

sábado, 9 de abril de 2011

Se sabe com certeza,
que do inesperado podem surgir alegrias,
que o não programado pode terminar com a tristeza.
Esquece-se também,
que em tudo existe equilíbrio,
Tudo vai e tudo vêm,
e o inesperado, por ser justo,
não distribui aleatoriamente alegrias somente,
com acerto, sem desperdício,
sucita em um só susto,
sentimentos de toda variedade.
Que se mantenha dito,
a maior das verdades:
o inesperado não toma partido.

sábado, 2 de abril de 2011


Tem coisa que não explicamos.
e destas, prefiro as que não percebemos.
Tá, percebemos. Porém, sempre tarde.
Antes que capazes de compreender sejamos,
atingidos, e até abatidos, somos.
Não há previsão que exista, elas vem de toda parte.
Como prever quem vai entrar pela porta,
e te convidar prum chopp ou prum café?
Como escolhes o que te importa?
Como escolhes quem te importa?
Ou quem pegar no pé?
Tem coisas que acontecem.
E não explicamos.
Poderosas, se sucedem.
Desimportantes, vivamos.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O fim, enfim.

O que acontece entro o apito inicial e o final?
O que se passa entre o primeiro olhar e o último adeus?
Entre o primeiro dia e a formatura? O que torna um diferente um igual?
Que faz a trama acontecer? O que forma os pensamentos teus?

Celebra-se o fim pela importância do meio.
Por ter sido superado ou vivido.
Que tenha sido aventura ou passeio.
Seja lá o efeito que tenha surtido.

O fim também é início.
Afinal, sempre se dá o próximo passo.
Depois do final, um novo princípio.
Com um pouco de bagagem a mais.
De alguma forma, mais perto da paz.

terça-feira, 22 de março de 2011

Me sento e olho para a tela.
Deixo escorrer o que existe de poesia.
Não gosto de pensar o que se faz dela.
Que saia, e em algum lugar provoque alegria.
ao menos algum conforto ou reconhecimento,
de tamanho igual ou maior,
do que tenho no momento,
que sento e olho para a tela.
e deixo escorrer o que existe de poesia,
sem ideia do que faz dela,
se talvez alguma alegria,
se algo do melhor, se algo do pior.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sobre semear e colher

Plantar sempre,
Para a colheita surgir,
Assim, de repente,
Quando se pensar em desistir.

Semear em tudo um futuro.
E o trajeto, por mais duro,
Nunca será insuperável.
O segredo então,
é manter-se incansável
espalhando as sementes,
com o que se pensa e se sente,
sinceridade no sim e no não.
Até que se pense em desistir,
e a colheita, assim de repente,
surgir.

domingo, 13 de março de 2011

Das autorias das poesias

Digo,
com a garantia
dos meus olhos vermelhos,
Que toda poesia,
pode e deve eternizar,
deve-se lembrar porém,
que ela é escrita,
por uma só mão,
que obedece um solitário coração.

E também posso dizer,
com o respaldo do que aperta o peito,
que cada poesia alegre,
sem que nada possa ser feito,
hora ou outra,
se dissipa no ar,
e passa a dar lugar
a outro tipo, mais abundante:
aquelas tristes, inquietantes,
escritas por suspiros
que nos enchem de vazio.

quinta-feira, 10 de março de 2011

De vez em quando parar,
olhar as próprias pegadas.
Re-pensar sem re-sentir.
As cicatrizes contar,
e refletir.
Não se bebe águas passadas.
Não se evolui com o passado na bagagem.
O próximo destino
é o único sentido
desta viagem.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Suspeito, por racionalizado instinto,
que o sentido da vida,
deve estar em uma compreensão.
Equilíbrio do que sei, penso e sinto,
sorriso entre a chegada e a partida,
entendimento em forma de ação.

Compreende-se de todo modo,
que por esse sentido da estrada,
é preferível deixar pegadas,
do que acumular bagagens.
Então, nessa obrigatória viagem,
se deixa rastros para que não seja em vão,
e é pouca a bagagem, para se guardar tudo no coração.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Do sonho imperecível 2

Sonho imperecível,
Que cria sentimento impertinente,
Que ora acelera e só se vai a frente,
Ora freia, tornando movimento impossível.
Sentimento motor, calor, ação.
Sentimento frio, parede, abismo.
Aceita-se: não há lógica ou razão.
Cria-se: objetivos, sentidos, ilusões.
Porém, contra fatos não há romantismo.
Aparecem necessidades e razões
E o sonho adormece,
aguardando, não fraqueja,
sonho sonhado não se perde,
o retorno, que é certeza,
virá de repente,
surgirá, como sempre: imperecível.
Quem diz que não, mente,
Mas esconder continua possível.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Do sonho imperecível.

É estranho, para não falar em mistério,
O que se sucede por vezes,
Que longe, quilômetros ou meses,
Sem lógica ou qualquer critério,
Apareça o pensamento de sempre:
Sonho de futuro impossível,
Saudade de passado inventado.
Olho o horizonte, impassível,
Determinado a viver o sonho sonhado.

Demoro-me procurando
Forma simples de dizer,
Que nessa irracional intenção,
Do sonho sonhado viver,
Quero-te ao meu lado,
Criando passo a passo,
Esse mundo impossível,
Pelo sonho sustentado.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Do verbo Motor

Verbos são os motores, das palavras.
Para cada ação um nome.

Para movimentar em todos os tempos e de todos os modos.
Advérbio, sujeito e pronome.

Sendo cada verbo um motor,
diga-me o que conjugas,
e te direi como andas,
por onde andas,
sem tirar nem por.


Tem coisa que da medo conjugar,
Trauma, 'receio', sei lá.

Talvez essa seja a fórmula para mudar:
Reconjugar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O peso, a leveza.
Equilibrar-se:
para não perder a mágica leveza do sonho,
e nem aliviar muito o peso dos pés no chão.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ela estava ali parada, olhando pra estante.
Ele chegou, olhou para ela, olhou para estante.
Ele pegou um livro, leu a contracapa.
Ela pegou outro, deu um passo para trás.
Ele olhou discretamente para trás.
Ele colocou o livro de volta na estante.
Ele olhou para ela, deu passo, e disse:
"Esse livro é bom. O Galeano é ótimo"
Ela sorriu.
Ele ficou satisfeito e foi embora.

E eu olhando de camarote, com meu Fernando Pessoa na mão.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vejo cabelos no travesseiro,
Lembranças no pensamento.
Guerra acho exagero,
Curva fechada, problemas com o freio.


Não se sabe nunca o que o destino traz,
Destino, aliás, nem deve existir.
esquecê-lo e seguir em paz,
deve ser a solução pra dor do partir.


Como causa e efeito,
Fazer suco da semente, matar no peito,
Diz meu pai sem hesitar.
Como num verso popular,
Respirar um pouco e rezar,
Diz a mãe com olhos a brilhar.
E com toda simplicidade,
Meu irmão,
Olha, sorri e segue.
Penso, então, que nada é breve,
Afinal, tudo é o processo.
E aos poucos o processo se torna tudo.


Esqueçamos o destino.
Que, aliás, nem deve existir.
Na próxima vez, ouça o sino.
Deve ser hora de partir.
O que sei, sei.
O que não sei, invento.
E não é qualquer vento,
que sopra para longe
o meu invento.
Ah, coração! Te preocupa com o que é certo, que o incerto, além de chantagista, não merece atenção.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Do Pouco que é muito. E do Resto que parece tudo.

É preciso Pouco. Mas é difícil de conseguir.
O Pouco se esconde no Resto.
O Resto distrai e nos afasta do Pouco.
O Pouco é leve. Não pesa.
O Resto nos envolve e parece banal.
O Resto banal acaba por pesar.
E o peso do Resto, afasta da leveza do Pouco.
E o Pouco, que é tão pouco, começa a parecer muito.
E por parecer muito, e estar por trás do Resto, desiste-se do Pouco.
Sem o Pouco no horizonte, nos perdemos no Resto.
E o Resto pesa.
Pesa e distrai.
E o Pouco fica longe.
Cada vez mais.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Talvez se encontre a solução,
em uma alegre inconstância,
que nunca aquiete o coração,
e leve a uma eterna infância.

E,assim, de repente,
nos mantemos no voô livre,
conquistando o novo,
com o os olhos de quem viu o velho.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Qualquer coisa liga.
O tempo passará rápido e devagar ao mesmo tempo.
Estaremos a esperar.
Com mais ou menos paciência.
Com mais ou menos sapiência.
Rápido e devagar.
Sejá lá como vamos nos virar,
Qualquer coisa liga.




























Sempre tem a estrada pra resolver.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Abriu os olhos.
Estava na hora.

Abrius os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.

Abriu os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.

Abriu os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.
Girou sobre os calcanhares e só sabia sentir.

Abriu os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.
Girou nos calcanhares e só sabia sentir.
Abriu o coração.
Passava da hora.

Abriu os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.
Girou nos calcanhares e só sabia sentir.
Abriu o coração.
Passava da hora.
Abriu a boca e palavra se diluiu no espaço.

Abriu os olhos.
Estava na Hota.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.
Girou nos calcanhares e só sabia sentir.
Abriu o coração.
Passava da hora.
Abriu a boca e palavra se diluiu no espaço.
Quis um outro abraço.

Enfim aceitou o silêncio e os clichês,
esperando que eles pudessem dizer,
todo o sentimento sentido,
que não tinha nome aparente,
que queria sair mas não sabia
que no momento se escondia,
para ficar mais evidente.

sábado, 8 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

   Acabo de ler 10 dias de uma jornada de 30 que um amigo/conhecido (sei lá que ele me considera) escreveu. Li em velocidade alta. E no momento estou pensando no ritmo que a velocidade da minha leitura deu ao texto dele. Ou no ritmo que o texto dele deu a velocidade da minha leitura. Na verdade acho que meu pensamento ta acontecendo, literariamente (existe, essa palavra?) falando, no estilo dele.
   Também penso nela. Não ela do texto/livro dele. Ela do meu texto, deste texto, que lês sei lá porque. A ela do meu texto nem é ela a tanto tempo, mas me parece que sim.

   No fundo não sei se sou ele para ela. Mas sou alguma coisa. Hoje, do nada, parecíamos discutir. Um tempo depois parei para pensar no motivo. Não encontrei. Falei com ela, ela também não encontrou. Acho que é só a indefinição. Indefinição por tudo.
   Uma vez uma amiga nos ajudou a definir: nos misturamos e isso já era inevitável. Mas e daqui pra frente? Na verdade, e agora? Convenções, situações, emoções, lógicas ilógicas, por vezes chantagens, por algum instantes a razão, mas na maioria deles a emoção. E ainda não se descobriu qual o caminho.
  Estou aqui, em frente ao computador no quarto mais quente da casa. Á minha direita, um espelho. Encaro-o. E ao encarar vejo refletido as marcas da maior "paulada" que já levei da vida. O que mudou desde então? O que mudou em mim?
   Em algumas coisas me vejo mais seguro, de outras me vejo mais dependente. Mudou muita coisa.
   E novamente me aparece ela entre as lembraças. Faz parte da minha mudança. Ela me mudou. Ou eu mudei com ela. Ou nos mudamos. Acho que ela não acredita nisso. Ou não tem noção de que comigo isso aconteceu.
   Parece que o tempo nos enganou e não foi tão pouco tempo que passou.
  Sabe-se lá que vai acontecer. É o meu pensamento. E isso faz dias. Não só sobre ela, mas sobre tudo.
  E nesse vácuo da minha vida, que em algum tempo será lembrado entre sorrisos como "o tempo que fiquei tentando me encontrar" escrevo aqui algumas verdades.
  Minhas verdades.
  E verdade de agora somente.
  Das 15 horas. Do dia 5 de Janeiro de 2011.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Quando é que se sai do vôo livre?
Quando é que nos agarramos a cabos, asas ou decidimos pegar um avião?
O que faz com que esconderijos sejam fundamentais.
Não, não são máscaras. São fáceis de tirar e colocar.
Esconderijos. Com tanta estrutura e segurança que para sair deles, só por motivos muito maiores.
Ou quando nos acham e nos tiram de lá.
Seja lá o que nos incomode até que se decida parar de se esconder.