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quarta-feira, 2 de maio de 2012

sobre como vais me encontrar a qualquer tempo

Quando não-apaixonado, sou mais critico e sagaz.
Quando apaixonado, acabo por sorrir mais.
De nenhuma forma é provável que me encontres em paz.


terça-feira, 24 de abril de 2012

E assim vou tocando a vida

Sinto,
                    e muito.

                    e somente.
Não ajo,
                    por agir:
sinto desejo
                    de sentir.    

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Entre saber e sentir.

eu já não me lembro como eu era antes daquele beijo.
eu já não me lembro como eu era antes daquele jogo.
eu já não me lembro como eu era antes desta dor no joelho.
e também não me lembro como era antes deste aperto no peito.

Por vezes parece que simplesmente cai aqui.
E tenho que carregar tudo o que não recordo.
Por vezes parece que este peso é de algo que não vivi.
E tenho que lidar com medos herdados.

Sei de tudo.
Mas já não me lembro.
Vive-se as consequencias.


E os efeitos colaterais.

sábado, 17 de março de 2012

Hoje passaria toda a noite olhando para o céu.

Hoje passaria toda a noite olhando para o céu.
Pois tudo parece tão triste.

A noite toda, olhando para o céu.
Pois a tristeza vem tão forte quanto a antecessora alegria.

Olhando para o céu.
E pensando. Talvez alegrias menores gerem tristezas menores.

Olhando.
E apenas sentindo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Seca

Secou. Pensei eu.
depois de tudo que se deu,
percebi o rio secar.

Comecei a dissecar,
a vida inteira,
parte e reparte,
parte inteira, parte meia.

Percebi o motivo da seca:
barragem erguida na fonte,
a cada erro, a cada medo.
Deixei-a assim: imponente. 
Sorri, sem voz.
Farei a fonte transbordar
e a correnteza chega mais forte na foz.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

E eu aqui, comendo mariolas.

Tem gente que escreve um bilhete.
Outros, assistem um gol na televisão.
Uma criança voa num patinete.
Alguém descobre o primeiro acorde no violão.
Dois carros batem, seus donos gritam.
Duas pessoas se cumprimentam e se vão.
Um homem olha a amada dormindo.
Ela acorda e os dois se olham.
Infelizmente tem que dizer que está indo.
Uma mulher toca a campainha.
A porta abre. "só vim dar uma passadinha".
Um velho grita com sua vizinha.
Um moleque chuta uma pinha.
Senhor sai satisfeito do restaurante.
O moleque tropeça e se esfola.
Tudo isso em instantes.
E eu aqui, comendo mariola.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O fim, enfim.

O que acontece entro o apito inicial e o final?
O que se passa entre o primeiro olhar e o último adeus?
Entre o primeiro dia e a formatura? O que torna um diferente um igual?
Que faz a trama acontecer? O que forma os pensamentos teus?

Celebra-se o fim pela importância do meio.
Por ter sido superado ou vivido.
Que tenha sido aventura ou passeio.
Seja lá o efeito que tenha surtido.

O fim também é início.
Afinal, sempre se dá o próximo passo.
Depois do final, um novo princípio.
Com um pouco de bagagem a mais.
De alguma forma, mais perto da paz.

terça-feira, 22 de março de 2011

Me sento e olho para a tela.
Deixo escorrer o que existe de poesia.
Não gosto de pensar o que se faz dela.
Que saia, e em algum lugar provoque alegria.
ao menos algum conforto ou reconhecimento,
de tamanho igual ou maior,
do que tenho no momento,
que sento e olho para a tela.
e deixo escorrer o que existe de poesia,
sem ideia do que faz dela,
se talvez alguma alegria,
se algo do melhor, se algo do pior.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sobre semear e colher

Plantar sempre,
Para a colheita surgir,
Assim, de repente,
Quando se pensar em desistir.

Semear em tudo um futuro.
E o trajeto, por mais duro,
Nunca será insuperável.
O segredo então,
é manter-se incansável
espalhando as sementes,
com o que se pensa e se sente,
sinceridade no sim e no não.
Até que se pense em desistir,
e a colheita, assim de repente,
surgir.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Suspeito, por racionalizado instinto,
que o sentido da vida,
deve estar em uma compreensão.
Equilíbrio do que sei, penso e sinto,
sorriso entre a chegada e a partida,
entendimento em forma de ação.

Compreende-se de todo modo,
que por esse sentido da estrada,
é preferível deixar pegadas,
do que acumular bagagens.
Então, nessa obrigatória viagem,
se deixa rastros para que não seja em vão,
e é pouca a bagagem, para se guardar tudo no coração.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Do sonho imperecível 2

Sonho imperecível,
Que cria sentimento impertinente,
Que ora acelera e só se vai a frente,
Ora freia, tornando movimento impossível.
Sentimento motor, calor, ação.
Sentimento frio, parede, abismo.
Aceita-se: não há lógica ou razão.
Cria-se: objetivos, sentidos, ilusões.
Porém, contra fatos não há romantismo.
Aparecem necessidades e razões
E o sonho adormece,
aguardando, não fraqueja,
sonho sonhado não se perde,
o retorno, que é certeza,
virá de repente,
surgirá, como sempre: imperecível.
Quem diz que não, mente,
Mas esconder continua possível.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Do sonho imperecível.

É estranho, para não falar em mistério,
O que se sucede por vezes,
Que longe, quilômetros ou meses,
Sem lógica ou qualquer critério,
Apareça o pensamento de sempre:
Sonho de futuro impossível,
Saudade de passado inventado.
Olho o horizonte, impassível,
Determinado a viver o sonho sonhado.

Demoro-me procurando
Forma simples de dizer,
Que nessa irracional intenção,
Do sonho sonhado viver,
Quero-te ao meu lado,
Criando passo a passo,
Esse mundo impossível,
Pelo sonho sustentado.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Do verbo Motor

Verbos são os motores, das palavras.
Para cada ação um nome.

Para movimentar em todos os tempos e de todos os modos.
Advérbio, sujeito e pronome.

Sendo cada verbo um motor,
diga-me o que conjugas,
e te direi como andas,
por onde andas,
sem tirar nem por.


Tem coisa que da medo conjugar,
Trauma, 'receio', sei lá.

Talvez essa seja a fórmula para mudar:
Reconjugar.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Abriu os olhos.
Estava na hora.

Abrius os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.

Abriu os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.

Abriu os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.
Girou sobre os calcanhares e só sabia sentir.

Abriu os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.
Girou nos calcanhares e só sabia sentir.
Abriu o coração.
Passava da hora.

Abriu os olhos.
Estava na hora.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.
Girou nos calcanhares e só sabia sentir.
Abriu o coração.
Passava da hora.
Abriu a boca e palavra se diluiu no espaço.

Abriu os olhos.
Estava na Hota.
Era fim d'um abraço.
A hora de abrir a porta e ir.
Girou nos calcanhares e só sabia sentir.
Abriu o coração.
Passava da hora.
Abriu a boca e palavra se diluiu no espaço.
Quis um outro abraço.

Enfim aceitou o silêncio e os clichês,
esperando que eles pudessem dizer,
todo o sentimento sentido,
que não tinha nome aparente,
que queria sair mas não sabia
que no momento se escondia,
para ficar mais evidente.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Timing

Nessa dança de atos,
Vivemos entre as consequências,
De cada escolha.
E sucessos e insucessos,
Continuam a se suceder.


Tem que ser no tempo certo.
O toque na bola.
O negócio a ser fechado.

O gesto.
A palavra.
A ação.
O abraço.


O tempo certo passa.
Ou não chegou.
Ou ainda, a gente pode faze-lo.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Espiral.

Tudo o que há,
Acaba por se organizar,
E estabelecer uma pequena ordem,
Que logo vem a se esfacelar.

Então, seguimos todos,
Teorizando sobre como voltar,
Então, novos bobos,
Decidem recomeçar.
E tudo que há,
Volta a se ordenar.

Parece que andamos em circulo
Mas a cada volta, vamos mais fundo.
Sem perceber, espiralamos.

E o centro,
Imenso e profundo,
Nos espera para revelar a verdade,
Ou apenas determinar o fim.


Fim.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Toda aquela sintonia.

Eles passaram ao meu lado.
Achei-os incríveis.
E me achei menor.
Eles seguiram em frente com toda confiança,
em uma sintonia maior.
Enquanto eu, parado, recriava esperanças.

Eles passaram na minha frente.
Vi dedicação, vi perseverança.
Recompondo esperanças, observei.
Ela guiando, falando.
Ele seguindo, confiando.

Eles passaram por mim.
Eu não passei por eles.
Mas guardo a esperança
de ter a alegria
de merecer tal confiança.
E de quando não enxergar,
receber a graça de um auxílio
com toda aquela sintonia.

Eles passaram por mim.
E me tornaram melhor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Deixa estar 2

Deixa estar,
que, igual a tudo no mundo,
esse sonho (que tanto inquieta) vai acabar,
e, como tudo e todos, se transformar,
talvez ao deixar de ser sonho,
se torne realidade.

Deixa estar,
pois mesmo não se tornando real,
será perseguido como ideal,
ou ainda, será lembrança,
e mesmo que lembranças não construam nada,
essa ao menos trará um sorriso,
e por certo uma certeza.
De que é possível
ser livre o suficiente,
para sonhar com tudo isso.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Deixa estar

Aperto no peito.

Não se sabe que fazer.
Faz-se o que é direito.
Faz-se o que é errado.
Não passa de qualquer jeito.

Mas deixa estar,
não tem como dar errado,
vivemos de verdade,
(nem mentir direito conseguimos)
só enganamos os próprios corações,
enquanto não chega o sossego,
enquanto não passa o aperto,
mas deixa estar.

Deixa estar
que a paz vai chegar,
que vamos saber o que fazer.
Conseguiremos.
Caminhando pelo mundo ou
descobrindo um canto pra ser feliz.
Deixa estar, deixa estar.
Conseguiremos.




















Deixa estar.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Incrível como vou lhe desvendando
e continuo a admirar.
Impassível, continuo a observar,
buscando ater-me a todos os detalhes.
Impossível, eu sei,
mas desejo nunca me afastar.
Importante é, (ao menos para mim)
que eu faça o possível,
para te fazer flutuar,
mais leve que o ar.