Talvez o importante seja o voltar.
E se o ir é ruim, acaba sendo parte do bom.
Talvez a dor seja necessária.
Para outra primavera, só passando por um outro outono.
sexta-feira, 1 de março de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Despedida
Abraço forte.
Um último beijo.
Ela entrega a passagem, entra.
Ele: "Psiu!"
Acenos pela porta.
Beijo pelo ar.
Ela sobe.
Ele sorri.
Um último beijo.
Ela entrega a passagem, entra.
Ele: "Psiu!"
Acenos pela porta.
Beijo pelo ar.
Ela sobe.
Ele sorri.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Noite clara.
Não sei da lua porque minha janela me mostra o Sul.
Uma nuvem muito baixa passa sobre a minha cabeça, aos poucos ela vai se despedindo e mostrando as estrelas. Parece que deixa um recado, aponta para elas. O céu esta claro, e elas ainda brilham lá em cima.
A noite está clara, mas as arvores parecem conservar a escuridão que devia reinar. Um pássaro se move e a escuridão baila como um fantasma que a noite clara revela.
As coisas não são tão óbvias.
Tem noites que se mostram claras.
Tem dias que passam escuros.
Não sei da lua porque minha janela me mostra o Sul.
Uma nuvem muito baixa passa sobre a minha cabeça, aos poucos ela vai se despedindo e mostrando as estrelas. Parece que deixa um recado, aponta para elas. O céu esta claro, e elas ainda brilham lá em cima.
A noite está clara, mas as arvores parecem conservar a escuridão que devia reinar. Um pássaro se move e a escuridão baila como um fantasma que a noite clara revela.
As coisas não são tão óbvias.
Tem noites que se mostram claras.
Tem dias que passam escuros.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Lei de Murphy
Tem dias que se dorme pouco e o despertar é bem disposto.
Tem dias que a chuva vem e deixa tudo alegre.
Tem dias cinzas tão cinzas que acaba ficando tudo bonito.
Tem distâncias que aproximam.
E silêncios que gritam.
Não deveríamos esquecer da chance das coisas darem certo.
Tem dias que a chuva vem e deixa tudo alegre.
Tem dias cinzas tão cinzas que acaba ficando tudo bonito.
Tem distâncias que aproximam.
E silêncios que gritam.
Não deveríamos esquecer da chance das coisas darem certo.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Esta noite não dormi direito. Praticamente não dormi. Toda tristeza e todo drama não saiam da minha cabeça. Passei a noite lembrando das vezes que enxerguei a morte como possibilidade e tentando não questionar os motivos de uns chegarem perto dessa fronteira e voltarem e outros não.
Comecei um texto que não consegui terminar.
"Há de se chegar um tempo que se possa viver de forma plena.
Há de chegar um dia em que seremos capazes.
Em quantos dias dormimos com a certeza de que tudo foi dito?
Todos os dias a vida e a morte nos rodeiam e conduzem nossos passos. Muitas vezes ignoramos. E não é de se estranhar: ás vezes a vida e a morte parecem nos ignorar. Passamos os dias sem abraçar a vida e sem sentir a ameaça da morte, sem perceber que tudo não passa de um equilibrio entre as duas. Cada passo e cada gesto só existe porque a vida e a morte vivem a testar os limites uma da outra. A cada avanço da morte, a vida grita aos nosso olhos.
Uma vez na fronteira, se sente todo o peso do tempo. Mas, como fazer no dia seguinte?"
Hoje despertei sem a certeza de ter dormido, mas certo de que não sonhei.
Vivemos administrando constrastes, no dia seguinte, a vida grita aos nossos olhos, querendo saber o que fizemos dela. Porém, há de se viver. E espero que aprendamos como.
Comecei um texto que não consegui terminar.
"Há de se chegar um tempo que se possa viver de forma plena.
Há de chegar um dia em que seremos capazes.
Em quantos dias dormimos com a certeza de que tudo foi dito?
Todos os dias a vida e a morte nos rodeiam e conduzem nossos passos. Muitas vezes ignoramos. E não é de se estranhar: ás vezes a vida e a morte parecem nos ignorar. Passamos os dias sem abraçar a vida e sem sentir a ameaça da morte, sem perceber que tudo não passa de um equilibrio entre as duas. Cada passo e cada gesto só existe porque a vida e a morte vivem a testar os limites uma da outra. A cada avanço da morte, a vida grita aos nosso olhos.
Uma vez na fronteira, se sente todo o peso do tempo. Mas, como fazer no dia seguinte?"
Hoje despertei sem a certeza de ter dormido, mas certo de que não sonhei.
Vivemos administrando constrastes, no dia seguinte, a vida grita aos nossos olhos, querendo saber o que fizemos dela. Porém, há de se viver. E espero que aprendamos como.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Museu de Palavras
Sou a favor de um museu de palavras.
Quadros brancos, com letras pretas, que escrevem palavras antigas. Palavras que ninguém mais fala, nomes de coisas que não existem mais, gírias de carreira meteórica, coisas que só se fala em algumas regiões e palavras escritas com "ph" e trema.
Disquete, relojoeiro, ponta-esquerda, "brasa, mora?", mandalete, tchê, bah, uai, pharmacia, lingüiça*.
Em frente a cada quadro, um balcão com folhetos explicativos com o significado, origem, tempo e local de cada uma. Quem sabe até marcas página* de souvenier.
Surgiriam cópias e filiais deste museu em rodoviárias e aeroportos de todo o mundo: colocando um pouco de história a disposição e evitando uso errado de falsos cognatos.
No ano novo descobri a palavra mandalete. Coisas de reunião de família. Fiquei repetindo "mandalete" mentalmente. Palavra ótima. Pelo som**, me pareceu que poderia servir para várias coisas, pessoas e máquinas, adjetivos, verbos e substantivos.
Há quem diga que as palavras ficam soltas no ar. É verdade. Mas elas também carregam história e por causa disso despertam lembranças. Além de ótimos sons.
Sou a favor de um museu de palavras.
* não sei o plural de marca página, também não sei como se escreve marca página depois da reforma ortográfica
** Atenção: a pronúncia é mandelête, não mandaléte.
À prova
Ter coragem para dar o salto.
E, no ar, perceber que não estava tão alto.
O paraquedas abre rápido.
Logo, o pouso.
Já é tempo de outro início,
sem repouso.
E, no ar, perceber que não estava tão alto.
O paraquedas abre rápido.
Logo, o pouso.
Já é tempo de outro início,
sem repouso.
sábado, 5 de janeiro de 2013
sábado, 15 de dezembro de 2012
Diários de Cuba - 23 y O
Parou de repente na esquina. Perguntou se eu me lembrava dele. Disse que estava feliz, tinha sido pai naquele dia. Sorrindo, disse que devia pagar um refresco ali no bar em frente, para comemorar. Começamos a caminhar. Ele me disse que lhe faltavam 2 pesos para ir até o hospital. Ele para em frente ao bar e me olha. Digo que tenho que seguir. Ele sacode os braços enquanto fala, o cheiro de álcool se espalha pelo ar. Deixo claro novamente que não lembro dele, não passei pelo portão 3 do aeroporto. Aceita que não o conheço, pede qualquer moeda. Passo a ter uma reunião no hotel em frente.
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