domingo, 22 de julho de 2012

tento escrever de novo.
me leio.
o texto faz parecer que tenho 15 anos.
Digo,
         penso,
                     ajo,




Passo por alguma alegria,
Mas só faço fugir da poesia:

























cansei da dor.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

sobre como vais me encontrar a qualquer tempo

Quando não-apaixonado, sou mais critico e sagaz.
Quando apaixonado, acabo por sorrir mais.
De nenhuma forma é provável que me encontres em paz.


terça-feira, 24 de abril de 2012

E assim vou tocando a vida

Sinto,
                    e muito.

                    e somente.
Não ajo,
                    por agir:
sinto desejo
                    de sentir.    

Das coisas que acredito. (ou mais um plágio da Helena)

Eu acredito nos momentos. E acredito nas palavras. Acredito nos momentos e no que eles dizem sobre as pessoas. E acredito nas palavras, que atravessam os momentos de um jeito que levam alguns deles por anos com a gente. Acredito na caça de momentos que são escritos por sorrisos. E acredito nas palavras capazes de criar estes sorrisos. Seja de que tipo eles sejam. E assim, acabo acreditando nos sorrisos, já que as palavras os criam e eles escrevem os momentos. E sim, acredito em palavras mudas, que sempre significam mais e geram os melhores sorrisos, que registram os melhores momentos: aqueles silenciosos com sorrisos brilhantes. Acredito em escolher as palavras certas para cada momento. Rezo por isso. Também tenho medo de falar outro idioma que tenha menos palavras. Mesmo que falar português seja, por vezes, muito chato. E, que no fundo, sejam necessárias poucas palavras. Mas é que acredito nelas tanto quanto acredito nas pessoas. E cada pessoa tem uma história para contar. As palavras também. E, como eu dizia, acredito nos momentos, tem alguns que eu poderia descrever além das palavras e dos sorrisos: posso sentir a luz, o cheiro e o toque. Tem outros que a memória esqueceu, acho que foi porque faltaram sorrisos e palavras. E tem palavras que ecoam por todo o sempre, mesmo que não tenham sido ditas. E acredito que acredito em tudo isso pelo simples fato de por vezes parar para recordar e contar histórias. E conta-las de momento em momento, sorriso em sorriso, palavra por palavra. Por fim, acredito em histórias. Vivo a persegui-las.







ps: devo dizer, para que a justiça seja feita, que mais uma vez plagiei (vulgo inspirei-me) a Helena. leiam ela aqui: http://hmoschoutis.blogspot.com.br/

ps: Helena, fazia tempo que não te lia, coisa que pretendo não fazer nunca mais.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Entre saber e sentir.

eu já não me lembro como eu era antes daquele beijo.
eu já não me lembro como eu era antes daquele jogo.
eu já não me lembro como eu era antes desta dor no joelho.
e também não me lembro como era antes deste aperto no peito.

Por vezes parece que simplesmente cai aqui.
E tenho que carregar tudo o que não recordo.
Por vezes parece que este peso é de algo que não vivi.
E tenho que lidar com medos herdados.

Sei de tudo.
Mas já não me lembro.
Vive-se as consequencias.


E os efeitos colaterais.

Sonhos, obviedades, conforto e desconforto.

O quanto de tempo na vida, gastamos caminhando em direção ao sonho?
Por mais relativo que seja o tempo, sem falar na ainda mais relativa definição de sonho, o que se faz no tempo em que se nega o que se desenha à nossa frente?
Pois isto é sonhar: negar a realidade e as possibilidades que se apresentam.
E o mais adaptado é que sobrevive.
Onde fica a fonte do desejo de novo?
Se os caminhos que se apresentam são leste e oeste, como decimos ir para o sul?
Negar o óbvio sempre parece revolucionário e, provavelmente, saudável. Mas as vezes o óbvio funciona e agrada.
No final, vai valer todo o desconforto?
Me parece que quem se mantém confortável sorri mais tempo. Ainda que por vezes não conheça o motivo.
O detalhe cruel é que uma vez desconfortável, só o movimento conforta.

Alegres os confortados.
Felizes os desconfortados que conseguem o próximo passo.
(Mesmo que não se tenha certeza do final. )

domingo, 1 de abril de 2012

O sorriso no topo da lista de sorrisos

    Com essa minha mania de avaliar a vida através de sorrisos, chego a conclusão de que o melhor deles é aquele que nasce pura e simplesmente do prazer de ver outra pessoa sorrir.
    Despreendimento, não desapego. Desapego traz inveja do sorriso, despreendimento é celebração da liberdade. Liberdade maior é sorrir ao ver sorrir.

sábado, 17 de março de 2012

Hoje passaria toda a noite olhando para o céu.

Hoje passaria toda a noite olhando para o céu.
Pois tudo parece tão triste.

A noite toda, olhando para o céu.
Pois a tristeza vem tão forte quanto a antecessora alegria.

Olhando para o céu.
E pensando. Talvez alegrias menores gerem tristezas menores.

Olhando.
E apenas sentindo.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Instantes.

    Descobri por que eu gosto de futebol. Não de torcer, isto eu nunca entendi (só se explica com uma palavra: paixão). De jogar.
    Até hoje eu achava que era só pela adrenalina, por aquele cansaço prazeroso, de gosto de missão cumprida. Só hoje, depois de perceber que provavelmente nunca vou jogar novamente, compreendi o que sempre me fez tão bem.
    Durante o jogo, e até na certeza de que virá o jogo seguinte, se aprende sobre a vida. Ou eu aprendia. Se aprende sobre erros que tem consequências, e também aqueles que acabam por não resultar em nada. Se aprende o sabor de alcançar o que se deseja. Se aprende que o próximo lance (ou o próximo jogo) sempre será uma chance de melhorar, de se superar, de superar outros e inclusive de ensinar algo que já se aprendeu em outros lances e jogos. Nunca fui dos mais habilidosos, mas sempre dos mais dedicados. E assim sou com a vida. Ainda não sei se jogava assim por causa da vida ou vivo assim por causa do jogo. Hoje eu apostaria na segunda opção.
    Já tive câncer. Algumas pessoas me elogiam pela minha paciência e resignação no tratamento. Percebi que aprendi a encarar assim em todas as vezes que me machuquei jogando bola. Abraço da mãe na dor, fala do pai me proibindo de desistir quando pensei nisso. Do mesmo jeito que tem vezes que parece melhor desistir de tudo.
    Mas isso tudo não é o motivo de eu ter iniciado este escrito. Quando se joga futebol, por alguns instantes, por mais insignificante que seja, tudo permanece suspenso. Todo o resto é colocado em um plano abaixo da quadra ou do campo. A bola está rolando até o pé daquele atacante que se sabe que não vai errar; o teu lançamento está chegando ao companheiro de time; o chute está indo até o alvo certo; o amigo que quase nunca acerta está fazendo um golaço. É difícil encontrar este sentimento na vida, pois na vida ele só é possível por motivos muito mais nobres: quando atingimos um objetivo de anos; quanto percebemos que fizemos algo bom para alguém; quando percebemos que estamos apaixonados; quando aprendemos algo novo e bom; quando alguém grita ação e o ator se torna outra pessoa, o cenário e o figurino estão bonitos e a luz perfeita.
    Este sentimento que é tão fácil e rápido no futebol, é difícil e tão rápido quanto na vida, porém, a facilidade que se encontra ele no futebol faz com que seja mais difícil esquece-lo. Coisa que é fácil de acontecer na vida. Vivem tristes aqueles que esquecem.
    Repetindo: falo de quando todo o resto parece estar em um nível mais abaixo. Nos sentimos leves e o olhar se fixa em um único ponto. Algo como quando nos apaixonamos e olhamos fixamente para o sorriso da outra pessoa, ou quando uma música faz todo o sentido e só conseguimos olhar para o cantor e gritar junto. Isso acontece em todos os jogos de futebol. Perceba, em algum instante, rapidamente, um dos jogadores estará com os olhos brilhantes e fixos.
     Tentei jogar de novo, faz menos de uma semana. Meus joelhos não me deixaram passar da terceira corrida. Doeu e chinguei os remédios que provocaram o problema neles. Mas nas duas corridas completadas e em alguns lançamentos enquanto fiquei como goleiro, senti.
Se nenhuma outra solução aparecer, não vou poder aceitar a dor em troca de uma partida de pelo resto da vida. Por isso, acho que nunca mais vou jogar. Mas vou tentar não esquecer esses instantes.